Ao pé da letra, é um glóbulo duro, brilhante, nacarado, que se forma nas conchas dalguns moluscos bivalves. Ou, ainda, uma pessoa de ótimas qualidades morais. Isso, claro, segundo a sétima impressão da terceira edição revista e ampliada do meu minidicionário comercializado lá por 1997.
Na prática, nunca escaparia de conchas bem fechadas, tampouco de lábios repletos de tanto moralismo. Pérola é o que resulta de raciocínios mais complexos do que uma fórmula de física ou uma sinfonia do século XIX. É o pensamento ou ação incompreensíveis para mentes rasas e conservadoras produzidos numa fração de segundo em que a razão dá lugar a sabe-se lá o que formulando frases de efeito e momentos inesquecíveis.
Pérola é humor negro, besteirol – aparentemente – sem sentido que torna a rotina mais divertida e inusitada. Minha vida é um colar delas, que aumenta a cada dia formando um fio emaranhado e muito pouco glamouroso.